
O Brasil vive uma situação paradoxal, é o país com o maior índice
de participação em redes sociais, com 86% de internautas acessando
as redes, seguido da Itália com 77% de adesão. Mesmo com índices
tão robustos, a utilização pedagógica desta ferramenta é pouco
expressiva. Muitos dos nossos usuários conhecem a web por
intermédio das redes, mas são poucos os que sabem fazer uma
competente pesquisa no Google, por exemplo, a ferramenta de busca
mais conhecida.
As redes sociais são espaço de relacionamento virtual,
compartilhamento de idéias e informações e já são mais populares
que os emails. Uma vasta gama de recursos está disponível aos
usuários permitindo criar e compartilhar páginas dinâmicas e
interativas. Podem ser uma importante fonte de consulta, informação
e entretenimento.
As redes sociais virtuais vão muito além da capacidade de favorecer
contatos ou armazenar e distribuir uma grande quantidade de
informação. São um fenômeno global que chegaram para ficar e
revolucionar as formas do ser humano conviver em sociedade. São
meios que potencializam interfaces que alavancam a interação
social, educacional, profissional ou de lazer, expandindo as formas
das pessoas se relacionarem ou se expressarem a um só tempo, tanto
como produtor, quanto como consumidor de conteúdos.
No Brasil a rede social mais conhecida é o Orkut. Entretanto
existem várias outras, sendo que as mais conhecidas são: Twitter,
Orkut, Facebook, Youtube, Ning, Badoo, Unyk, Hi5, MySpace, Myface,
Que Pasa, Windows Live (“Space”), Peabirus, Viadeo, Digg, Netlog,
Flicker, Sonico, LinkedIn e Plaxo. Algumas destas são pouco
conhecidas pelos brasileiros, mas todas elas facultam ao usuário
viabilizar diferentes formas de contatos ou projetos na internet,
sejam eles pessoais, sociais, de negócios ou políticos.
Vão muito além de mera plataforma que disponibiliza fotos, músicas,
textos, vídeos, documentos, imagens, mensagens, etc, tanto
sincrônica (instantânea), quanto assincrônicamente (sem data ou
hora determinada) a qualquer pessoa interessada. Destacam-se pelos
imponderáveis desdobramentos aos processos de interação humana
(culturais, sociais, econômicos, políticos, etc) ainda não de todo
conhecidos, como a facilidade em estimular as pessoas à cultura de
divulgar e debater idéias.
Algumas redes mantém sua ênfase exclusivamente focadas em
entretenimento, outras se mantém nas atividades corporativas. As
grandes empresas as utilizam para interação entre clientes e
parceiros de negócios. Mas são poucas as que atuam exclusivamente
na área educacional.
As comunidades virtuais são o que há de mais avançado em
tecnologia educacional. Apresentam-se como uma sala de aula
expandida aos professores que se propõem a permanecer conectados em
rede. Todo o percurso da construção do conhecimento pode ser
dinamicamente registrado, acompanhado, compartilhado, reelaborado
coletivamente. Permitindo que professores e alunos re-interpretem
criticamente seus papéis, conceitos e práticas, num processo onde
todos ensinam e todos aprendem.
No âmbito da educação, as redes sociais se caracterizam como uma
poderosa fonte de possibilidades à disposição dos professores. A
participação é totalmente interativa e bastante simples. Podem ser
descentralizadas, online ou totalmente assíncronas. Faculta ao
educador diferentes ferramentas, podendo postar textos, exercícios,
áudios, vídeos, tarefas, projetos, facilmente disponibilizados na
web e trabalhados pelos alunos sem uma data e horários
pré-definidos. Os conteúdos podem ser elaborados e re-elaborados de
forma colaborativa entre professores e alunos de várias escolas ou
cidades diferentes. Naquilo que Pierre Lévy denominou de
“inteligência coletiva¹”. Através delas, em questões de segundos, a
sala de aula “se expande” e a atividade educacional sai das
fronteiras da escola e alcança o mundo virtual.
Com as facilidades da Web 2.0, professores e alunos podem interagir
de modo antes inconcebível. O educando/internauta sai da posição de
expectador e assume a posição de co-produtor de conteúdos, agente
de elaboração e reelaboração de conhecimentos.
Compete ao professor estimular seus alunos a conhecerem as
ferramentas disponíveis e usar a criatividade para montar sua
própria página. Norteando o aprendizado de forma coletiva e
interativa, em consonância com seu planejamento, exercitando a
inter e a transdisciplinaridade, através de parcerias com seus
colegas de outras disciplinas.
A plataforma NING trás mais vantagens para os educadores que o
Orkut, por exemplo. É mais dinâmica e possui mais recursos que
potencializam o processo educativo. Para alguns autores, a
variedade de ferramentas disponíveis na plataforma NING faz com que
ela seja considerada um Ambiente Virtual de Aprendizagem/ AVA.
Através de seu ambiente, os alunos podem fazer uso de grupos de
discussão, chats, fóruns, vídeos, álbum de imagens, etc.
Potencializando a aprendizagem colaborativa, a participação
descentralizada que envolvam vários professores ou diferentes
grupos de alunos, inclusive de salas e escolas diferentes.
A participação de professores e alunos de diferentes escolas ou
cidades cria um fluxo contínuo de dados e informações que provocam
leituras e releituras diferenciadas de um determinado conteúdo.
Esta difusão das diferentes interpretações pode tornar algumas
redes sociais altamente comunicativas e colaborativas,
consubstanciando saberes e possibilidades que seriam inviáveis numa
aula dentro do modelo “tradicional”. Os conteúdos das disciplinas
(ou as próprias aulas) de um professor podem ser gravadas em vídeo
ou áudio (Podcasts) para que qualquer aluno possa fazer download e
ver ou ouvir depois em seu celular ou MP4.
A rede Ótimosfera encontra-se hospedada na plataforma Ning e
oferece uma série de ferramentas para seus usuários, em especial
aos educadores que se interessem em potencializar sua relação com a
construção do conhecimento, através de ferramentas e ambientes da
WEB 2.0. Ao usuário é permitido criar Blog, Fóruns, Grupos de
Discussões, postar áudios, vídeos, fotos, etc. Os membros da rede
podem manter contato com amigos, conhecer outras pessoas e
facilmente abrir tópicos de discussão, através dos fóruns ou grupos
de discussões onde exercitam a aprendizagem colaborativa, o estudo
em grupo, debates, o compartilhamento de idéias e informações.
O aluno é convidado a abandonar a postura passiva e tornar-se um
sujeito ativo, pensante, ator importante da construção e troca de
conhecimentos. O ambiente colaborativo de uma rede social pode
estimular debates, a realização de pesquisas, elaboração de textos,
permitindo ao professor direta e indiretamente diagnosticar
dificuldades de aprendizagem, desvios de condutas, etc, que em sala
de aula seriam mais difíceis de serem detectados.
Uma rede social que consiga envolver aqueles que orbitam o ambiente
escolar pode potencializar a sensação de pertencimento a um
determinado grupo, neste caso, a escola. Mesmo quando o aluno não
estiver nela. O espaço de aprendizagem sai do ambiente intramuros,
rompendo as separações das disciplinas e horários rígidos.
Amplia-se a rede de relacionamentos e gera novos olhares a
situações já conhecidas: o olhar do co-autor de conteúdos (que bem
podem ser reutilizadas em outras turmas). A contribuição dos alunos
na elaboração dos conteúdos a serem trabalhados, talvez minimize
estranhamentos com determinadas disciplinas e/ou professores.
Essa mudança não ocorre da noite para o dia, ele é processual. Deve
ser iniciada aos poucos, estimulando aspectos lúdicos e de
interação social em um primeiro momento, para posteriormente
fortalecer aspectos pedagógicos. Em sala de aula o educador deve
trabalhar preferencialmente com grupos pequenos, com objetivos bem
delineados, estimulando a pesquisa e a socialização do conhecimento
adquirido por outros meios, principalmente se os alunos têm pouca
habilidade com a internet e o rol de ferramentas nela
disponíveis.
O primeiro contato com o laboratório de informática, fica menos
cansativo aos envolvidos, seja aluno ou professor, se este puder
contar com um auxiliar para atender as demandas inerentes aos
diferentes níveis de conhecimentos e habilidades com a web, que os
alunos já possuam. Uma boa solução é o aluno mais avançado atuar
como tutor de seu colega. Por mais “avançado” entenda-se –em última
instância– aquele que já faça uso de outras redes como o Orkut,
Facebook ou MSN. Evidencie-se que isto nem sempre possa se
constituir numa vantagem, pelos possíveis vícios que possam vir
junto. Vícios estes que podem dificultar a atividade de
ensino-aprendizagem, já que nem todos com habilidade para a web
podem se interessar pelas atividades pedagógicas proporcionadas
pela rede.
Importante que antes de conduzir seus alunos a trabalharem com as
redes sociais, o educador harmonize os diferentes níveis de
conhecimentos que eles já possuam, informando sobre como devem ser
usadas as ferramentas da plataforma (grupos de discussão, fóruns,
etc) repassando técnicas de pesquisa avançada nas diferentes
ferramentas de busca e não somente no Google. Trabalhando conceitos
como atividades colaborativas, solidariedade, ética, respeito,
educação, etc. O chat é um bom meio para se averiguar como os
alunos exercitam determinados valores sociais, como a educação, por
exemplo. O índice de palavrões é assustador.
As redes sociais são um meio e não um fim. Não é apanágio da
educação, tampouco devem ser consideradas vilãs apenas porque este
ou aquele professor não se sente seguro em utilizá-las. Nem todas
as ferramentas disponibilizadas precisam ser utilizadas. É preciso
um acurado planejamento para que se tenha sucesso com a aplicação
das novas tecnologias na Educação.
Naturalmente o professor deve ficar atento a sua própria formação,
deve buscar se inteirar das potencialidades da comunidade,
capacitar-se no uso das ferramentas para depois poder repassar aos
seus alunos. Uma boa idéia é treinar alguns alunos de salas mais
avançadas para atuarem como monitores, quando da ida ao
laboratório.
O professor deve ter compreensão dos limites de suas habilidades e
competências, deve querer se capacitar para ampliá-las de modo a
ter sucesso em seus objetivos. Deve saber filtrar conteúdos e
ferramentas num vasto oceano de interesses que a web proporciona,
de forma a ser bem sucedido em suas metas de proporcionar aos
alunos a ampliação dos conhecimentos ponderados.
Não existe uma fórmula que conduza ao sucesso. Além de um bom
planejamento, diversas variáveis devem ser levadas em conta. A
faixa etária, níveis sócio-econômicos e culturais, variações de
intimidade com a web influenciam no resultado das atividades. Sendo
que o índice e a qualidade da colaboração entre os participantes é
o segredo para o sucesso.
by Profº Luiz César Faria
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¹ - Pierre Lévy - pensador francês, principal teórico das influências da internet nas sociedades.
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