terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Uso do Celular nas Escolas - A tecnologia pode transformar o processo educativo

Não se pode ignorar o avanço da tecnologia em nosso dia-a-dia. Hoje, as crianças estão antenadas a estes avanços tecnológicos. Desde muito cedo as gerações vem inserindo-se em uma nova sociedade: a "sociedade digital", conforme nos alerta nos alerta o filósofo italiano Pier Cesare Rivoltella, especialista em Mídia e Educação e consultor de grupos de pesquisa sobre esse tema na PUC-RJ.

Entre várias tecnologias, hoje encontramos facilmente no mercado os IPads, IPhones, Tablets, entre outros. Porém o celular ainda lidera, e já faz parte do mundo lúdico das crianças juntos às bonecas, carrinhos, bolas, patins, vídeo-games e muito mais.

As crianças, cada vez mais cedo, vem despertando o interesse pelo celular. Já conhecem os modelos, as funcionalidades, e hoje já são frequentemente pedidos. Posso até dizer que se questionarmos uma criança sobre o que ela gostaria de ganhar de presente dando-lhe duas opções, um brinquedo ou um celular, os dois provavelmente ficariam indecisos.

Muitas crianças já pedem o celular para os pais e alguns já cedem aos encantos digitais, por dois motivos: agradar seus filhos e monitorá-los, tornando mais fácil o dia-a-dia.

Porém, este presentinho pode ser um grande desafio para as escolas.

Reconheço a importância do celular em nossas vidas, porém não podemos entregá-lo nas mãos de nossos filhos sem antes orientá-los, afinal vivemos em um mundo que existem regras.

O mal uso do celular pode trazer seríssimos problemas tanto educacionais e psicológicos quanto problemas de saúde.

E será que proibir o uso do celular seria a melhor solução??? É possível inserir esta tecnologia ao cotidiano das escolas e transformá-lo em recurso pedagógico! 

Que legal seria que professores pudessem enviar torpedos para seus alunos mantendo o vínculo de amizade também fora da escola, e também enviar dicas de leitura e de cultura, sites educacionais, lembretes entre tantas outras idéias que vão surgindo de acordo com o incentivo deste suporte, e assim o aprendizado se tornar ainda mais interessante e dinâmico.

Este método de ensino via celular vem conquistando os espaços educacionais e já foi até criado um nome para este método de ensino, o Mobile Learning (Aprendizagem Móvel), ou apenas M-Learning. Existe uma escola em Portugal que vem tendo resultados muito positivos com esta ferramenta de ensino, a Escola Secundária Carlos Amarante, em Braga.

Acredito que aqui no Brasil, este método não demore a ser inserido nas escolas, pois a cada dia que passa o celular vem fazendo parte do dia-a-dia das crianças. Algumas escolas usam já usam as redes sociais com fins educativos porém o celular consegue ser ainda mais rápido e ter maior alcance uma vez que, no Brasil, nem todos tem acesso a internet ainda.

O celular, como outras tecnologias, pode favorecer o trabalho na escola, tornando-o mais criativo, envolvente e dinâmico.Porém é necessário que se tenha uma formação que habilite os educadores ao uso destas novas tecnologias, pois ainda não absorvemos a cultura da utilização das tecnologias para o enriquecimento da prática docente, infelizmente ainda prevalece uma resistência para a utilização das mesmas. E isto é motivo de preocupação, pois enquanto a escola não se adapta a utilidade das novas TIC's, elas invadem a escola. E vou além, acredito que mais do que adaptar-se, as escolas deveriam incluir o uso dos principais recursos tecnológicos em sua proposta pedagógica, para que futuramente o uso indevido destes não venham interferir no convívio, na atividade em sala de aula e na qualidade de relação dessa criança com os demais.

Vale salientar que o celular, o tablet e outros são, nos dias de hoje, bens lúdicos e "(...) sendo a Escola a instituição responsável pela formação cultural da criança, cabe a ela também proporcionar esse conhecimento (...)" (SILVA, 1992, p. 92).

Não é salutar proibir a criança de ter um celular ou qualquer outro aparelho digital, mas deve-se estimular cada vez mais a brincadeira, o relacionamento com os coleguinhas, o lazer, os estudos.

Dar um celular nas mãos de uma criança sem a devida orientação seria um equívoco. É importante dialogar com a criança a finalidade do aparelho e mostrar os limites, tanto para os filhos quanto para os pais.

Na escola o celular só deve ser utilizado mediante permissão da professora e em casos de urgência, fora isto ele deverá permanecer desligado, assim como é nas escolas da Alemanha, em que as crianças podem levar os aparelhos para a escola, mas eles não podem ser ligados dentro do ambiente escolar, para que este não venha comprometer o desenvolvimento e a concentração dos alunos.

É preciso que a escola realize um trabalho de conscientização com pais e alunos.

Este tema vem sendo muito discutido em todo Brasil e algumas cidades o uso deste aparelho foi proibido, porém aqui na Paraíba (já há algum tempo), o projeto de lei de autoria do deputado Nivaldo Manoel (PPS) que previa a proibição do uso de telefone celular nas escolas públicas e privadas da Paraíba foi vetado pelo Poder Executivo.

Não existe um consenso sobre uma idade padrão para iniciar o uso do aparelho pelas crianças. Hoje em dia é difícil estabelecer uma idade para esse uso, vai depender da necessidade dos pais e filhos. Mas acredito que uma criança de 10-11 anos já está preparada para ter um celular, mas a partir dos 7 anos eles já sabem manusear e já começam a pedí-lo de presente. E com isso o mercado já se prepara para atender aos gostos dos pequenos, com mais funções, estilos e cores.

A moderação e a mediação são as melhores receitas!!!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A PEDAGOGIA DAS REDES SOCIAIS
potencializando atividades educativas na Web
O Brasil vive uma situação paradoxal, é o país com o maior índice de participação em redes sociais, com 86% de internautas acessando as redes, seguido da Itália com 77% de adesão. Mesmo com índices tão robustos, a utilização pedagógica desta ferramenta é pouco expressiva. Muitos dos nossos usuários conhecem a web por intermédio das redes, mas são poucos os que sabem fazer uma competente pesquisa no Google, por exemplo, a ferramenta de busca mais conhecida.

As redes sociais são espaço de relacionamento virtual, compartilhamento de idéias e informações e já são mais populares que os emails. Uma vasta gama de recursos está disponível aos usuários permitindo criar e compartilhar páginas dinâmicas e interativas. Podem ser uma importante fonte de consulta, informação e entretenimento.

As redes sociais virtuais vão muito além da capacidade de favorecer contatos ou armazenar e distribuir uma grande quantidade de informação. São um fenômeno global que chegaram para ficar e revolucionar as formas do ser humano conviver em sociedade. São meios que potencializam interfaces que alavancam a interação social, educacional, profissional ou de lazer, expandindo as formas das pessoas se relacionarem ou se expressarem a um só tempo, tanto como produtor, quanto como consumidor de conteúdos.

No Brasil a rede social mais conhecida é o Orkut. Entretanto existem várias outras, sendo que as mais conhecidas são: Twitter, Orkut, Facebook, Youtube, Ning, Badoo, Unyk, Hi5, MySpace, Myface, Que Pasa, Windows Live (“Space”), Peabirus, Viadeo, Digg, Netlog, Flicker, Sonico, LinkedIn e Plaxo. Algumas destas são pouco conhecidas pelos brasileiros, mas todas elas facultam ao usuário viabilizar diferentes formas de contatos ou projetos na internet, sejam eles pessoais, sociais, de negócios ou políticos.

Vão muito além de mera plataforma que disponibiliza fotos, músicas, textos, vídeos, documentos, imagens, mensagens, etc, tanto sincrônica (instantânea), quanto assincrônicamente (sem data ou hora determinada) a qualquer pessoa interessada. Destacam-se pelos imponderáveis desdobramentos aos processos de interação humana (culturais, sociais, econômicos, políticos, etc) ainda não de todo conhecidos, como a facilidade em estimular as pessoas à cultura de divulgar e debater idéias.

Algumas redes mantém sua ênfase exclusivamente focadas em entretenimento, outras se mantém nas atividades corporativas. As grandes empresas as utilizam para interação entre clientes e parceiros de negócios. Mas são poucas as que atuam exclusivamente na área educacional.

As comunidades virtuais são o que há de mais avançado em tecnologia educacional. Apresentam-se como uma sala de aula expandida aos professores que se propõem a permanecer conectados em rede. Todo o percurso da construção do conhecimento pode ser dinamicamente registrado, acompanhado, compartilhado, reelaborado coletivamente. Permitindo que professores e alunos re-interpretem criticamente seus papéis, conceitos e práticas, num processo onde todos ensinam e todos aprendem.

No âmbito da educação, as redes sociais se caracterizam como uma poderosa fonte de possibilidades à disposição dos professores. A participação é totalmente interativa e bastante simples. Podem ser descentralizadas, online ou totalmente assíncronas. Faculta ao educador diferentes ferramentas, podendo postar textos, exercícios, áudios, vídeos, tarefas, projetos, facilmente disponibilizados na web e trabalhados pelos alunos sem uma data e horários pré-definidos. Os conteúdos podem ser elaborados e re-elaborados de forma colaborativa entre professores e alunos de várias escolas ou cidades diferentes. Naquilo que Pierre Lévy denominou de “inteligência coletiva¹”. Através delas, em questões de segundos, a sala de aula “se expande” e a atividade educacional sai das fronteiras da escola e alcança o mundo virtual.

Com as facilidades da Web 2.0, professores e alunos podem interagir de modo antes inconcebível. O educando/internauta sai da posição de expectador e assume a posição de co-produtor de conteúdos, agente de elaboração e reelaboração de conhecimentos.

Compete ao professor estimular seus alunos a conhecerem as ferramentas disponíveis e usar a criatividade para montar sua própria página. Norteando o aprendizado de forma coletiva e interativa, em consonância com seu planejamento, exercitando a inter e a transdisciplinaridade, através de parcerias com seus colegas de outras disciplinas.

A plataforma NING trás mais vantagens para os educadores que o Orkut, por exemplo. É mais dinâmica e possui mais recursos que potencializam o processo educativo. Para alguns autores, a variedade de ferramentas disponíveis na plataforma NING faz com que ela seja considerada um Ambiente Virtual de Aprendizagem/ AVA. Através de seu ambiente, os alunos podem fazer uso de grupos de discussão, chats, fóruns, vídeos, álbum de imagens, etc. Potencializando a aprendizagem colaborativa, a participação descentralizada que envolvam vários professores ou diferentes grupos de alunos, inclusive de salas e escolas diferentes.

A participação de professores e alunos de diferentes escolas ou cidades cria um fluxo contínuo de dados e informações que provocam leituras e releituras diferenciadas de um determinado conteúdo. Esta difusão das diferentes interpretações pode tornar algumas redes sociais altamente comunicativas e colaborativas, consubstanciando saberes e possibilidades que seriam inviáveis numa aula dentro do modelo “tradicional”. Os conteúdos das disciplinas (ou as próprias aulas) de um professor podem ser gravadas em vídeo ou áudio (Podcasts) para que qualquer aluno possa fazer download e ver ou ouvir depois em seu celular ou MP4.

A rede Ótimosfera encontra-se hospedada na plataforma Ning e oferece uma série de ferramentas para seus usuários, em especial aos educadores que se interessem em potencializar sua relação com a construção do conhecimento, através de ferramentas e ambientes da WEB 2.0. Ao usuário é permitido criar Blog, Fóruns, Grupos de Discussões, postar áudios, vídeos, fotos, etc. Os membros da rede podem manter contato com amigos, conhecer outras pessoas e facilmente abrir tópicos de discussão, através dos fóruns ou grupos de discussões onde exercitam a aprendizagem colaborativa, o estudo em grupo, debates, o compartilhamento de idéias e informações.

O aluno é convidado a abandonar a postura passiva e tornar-se um sujeito ativo, pensante, ator importante da construção e troca de conhecimentos. O ambiente colaborativo de uma rede social pode estimular debates, a realização de pesquisas, elaboração de textos, permitindo ao professor direta e indiretamente diagnosticar dificuldades de aprendizagem, desvios de condutas, etc, que em sala de aula seriam mais difíceis de serem detectados.

Uma rede social que consiga envolver aqueles que orbitam o ambiente escolar pode potencializar a sensação de pertencimento a um determinado grupo, neste caso, a escola. Mesmo quando o aluno não estiver nela. O espaço de aprendizagem sai do ambiente intramuros, rompendo as separações das disciplinas e horários rígidos. Amplia-se a rede de relacionamentos e gera novos olhares a situações já conhecidas: o olhar do co-autor de conteúdos (que bem podem ser reutilizadas em outras turmas). A contribuição dos alunos na elaboração dos conteúdos a serem trabalhados, talvez minimize estranhamentos com determinadas disciplinas e/ou professores.

Essa mudança não ocorre da noite para o dia, ele é processual. Deve ser iniciada aos poucos, estimulando aspectos lúdicos e de interação social em um primeiro momento, para posteriormente fortalecer aspectos pedagógicos. Em sala de aula o educador deve trabalhar preferencialmente com grupos pequenos, com objetivos bem delineados, estimulando a pesquisa e a socialização do conhecimento adquirido por outros meios, principalmente se os alunos têm pouca habilidade com a internet e o rol de ferramentas nela disponíveis.

O primeiro contato com o laboratório de informática, fica menos cansativo aos envolvidos, seja aluno ou professor, se este puder contar com um auxiliar para atender as demandas inerentes aos diferentes níveis de conhecimentos e habilidades com a web, que os alunos já possuam. Uma boa solução é o aluno mais avançado atuar como tutor de seu colega. Por mais “avançado” entenda-se –em última instância– aquele que já faça uso de outras redes como o Orkut, Facebook ou MSN. Evidencie-se que isto nem sempre possa se constituir numa vantagem, pelos possíveis vícios que possam vir junto. Vícios estes que podem dificultar a atividade de ensino-aprendizagem, já que nem todos com habilidade para a web podem se interessar pelas atividades pedagógicas proporcionadas pela rede.

Importante que antes de conduzir seus alunos a trabalharem com as redes sociais, o educador harmonize os diferentes níveis de conhecimentos que eles já possuam, informando sobre como devem ser usadas as ferramentas da plataforma (grupos de discussão, fóruns, etc) repassando técnicas de pesquisa avançada nas diferentes ferramentas de busca e não somente no Google. Trabalhando conceitos como atividades colaborativas, solidariedade, ética, respeito, educação, etc. O chat é um bom meio para se averiguar como os alunos exercitam determinados valores sociais, como a educação, por exemplo. O índice de palavrões é assustador.

As redes sociais são um meio e não um fim. Não é apanágio da educação, tampouco devem ser consideradas vilãs apenas porque este ou aquele professor não se sente seguro em utilizá-las. Nem todas as ferramentas disponibilizadas precisam ser utilizadas. É preciso um acurado planejamento para que se tenha sucesso com a aplicação das novas tecnologias na Educação.

Naturalmente o professor deve ficar atento a sua própria formação, deve buscar se inteirar das potencialidades da comunidade, capacitar-se no uso das ferramentas para depois poder repassar aos seus alunos. Uma boa idéia é treinar alguns alunos de salas mais avançadas para atuarem como monitores, quando da ida ao laboratório.

O professor deve ter compreensão dos limites de suas habilidades e competências, deve querer se capacitar para ampliá-las de modo a ter sucesso em seus objetivos. Deve saber filtrar conteúdos e ferramentas num vasto oceano de interesses que a web proporciona, de forma a ser bem sucedido em suas metas de proporcionar aos alunos a ampliação dos conhecimentos ponderados.

Não existe uma fórmula que conduza ao sucesso. Além de um bom planejamento, diversas variáveis devem ser levadas em conta. A faixa etária, níveis sócio-econômicos e culturais, variações de intimidade com a web influenciam no resultado das atividades. Sendo que o índice e a qualidade da colaboração entre os participantes é o segredo para o sucesso.
by Profº Luiz César Faria

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¹ - Pierre Lévy - pensador francês, principal teórico das influências da internet nas sociedades.